Como tratar de bolhas?bolha2


Em doentes com EB, as bolhas devem ser drenadas sempre que estiverem tensas. Isto porque o fluido no seu interior irá pressionar os tecidos circundantes, causando uma maior separação das camadas da pele, que resulta em bolhas maiores e maiores feridas. Uma bolha grande leva mais tempo a cicatrizar e aumenta o risco de infeção. Além disso é mais dolorosa que uma bolha pequena.

 

 

agulha2Para drenar uma bolha, deve-se furar lateralmente usando uma agulha estéril ou lâmina de bisturi. Ao usar a agulha deve-se verificar que a abertura na bolha é suficientemente grande para não voltar a selar e a encher de fluído. O uso da lâmina de bisturi resolve esta questão, mas cuidados extra deverão ser tomados no manuseamento da lâmina. Em crianças pequenas o uso da lâmina poderá ser perigoso, devido á imprevisibilidade dos movimentos.
Em qualquer dos casos, o teto da bolha (pele sobre a bolha) deve ser deixado intacto, pois aumenta o conforto e a cicatrização e serve de capa protetora.

 

 

spray

compressaA drenagem deve ser feita com uma ligeira compressão, usando uma compressa esterilizada, numa extremidade oposta ao furo, permitindo que o líquido seja completamente drenado. Após drenagem, o uso de um antibacteriano em spray poderá ser útil para prevenir infeções. Se a bolha for pequena e o teto se mantiver intacto, não é essencial o uso de pensos/compressas. Se a bolha for grande e o teto estiver parcialmente ou totalmente removido, devem ser usadas pensos/compressas para proteção.

 

 

Pensos e compressas

 

Uma bolha, erosão ou ferida dever ser coberta com pensos e/ou compressas se apresentar pelo menos uma das seguintes características:

  • A ferida necessita de protecção para evitar um trauma maior ou evitar o contacto/fricção com a roupa.
  • A ferida está exsudativa ou sangrante.
  • A ferida necessita da aplicação tópica para tratar de infecções
  • A ferida é dolorosa e cobri-la com pensos/compressas oferece conforto


O ideal seria que um tipo de penso funciona-se para todos os tipos de feridas mas, infelizmente, as feridas passam por diversos estágios na sua cicatrização. Para optimizar a cicatrização, cada ferida deve ser avaliada e a selecção dos materiais a usar deve ser baseada nas seguintes caracteristicas:

  • Os pensos TÊM de ser não-adesivos! NUNCA se deve aplicar pensos adesivos ou colar fitas á pele com EB.
  • Um ambiente húmido é essencial para a cicatrização.
  • Uma ferida seca necessita de hidratação.
  • Uma ferida muito exsudativa irá necessitar de o exsudado seja removido com um penso absorvente
  • Uma ferida excessivamente exsudativa poderá beneficiar de um penso especialmente absorvente.
  • Uma ferida infectada poderá beneficiar de um penso com prata, a acompanhar o tratamento (ver mais em baixo, como lidar com feridas infectadas).


Além disso, a preferência pessoal deve ser tida em consideração. Se não se sente confortável com um determinado penso, então esse penso não é o apropriado!


Após determinada o tipo de ferida, a escolha do penso apropriado é relativamente fácil. Existem inúmeros tipos de pensos óptimos para o cuidado de feridas, e muitos deles são apropriados para o tratamento de feridas em EB. Segue-se uma lista de alguns destes produtos e quais os casos onde são mais apropriados.

 

Categorização de pensos, propriedades e indicações 

Tipo de penso

Nome comercial

Mecanismo de ação

Comentários

Espumas

Mepilex*

Mepilex lite*

Mepilex border*

Mepilex border lite*

PolyMem†

Hydrotac‡

Allevyn Gentle₸

 

 

Alguns contêm silicone na superfície de contacto, torando-os não-aderentes

Normalmente feitos de poliuretano hidrofílico

Não-oclusivos

Superfície semipermeável que permite a passagem e retenção do exsudado no penso

Permitem a absorção de grandes quantidades de fluido

Oferecem proteção e proteção das feridas

Dependendo da quantidade de exsudado pode ficar na ferida até 7 dias

Alguns necessitam de camadas secundárias para retenção do penso

As variantes com bordo aderente podem ser demasiado agressivas e devem ser usadas com precaução. 

Hidrogéis

(gel)

Normlgel*

Intrasite 

Hydrosorb‡

 

(pensos)

Intrasite Conformable 

Hydrosorb‡

 

 

À base de polímeros insolúveis que expandem na água e hidratam as feridas

Proporcionam desbridamento autolítico 

 

Para feridas com pouco ou sem exsudado

Pelas propriedades hidratantes, conferem efeito refrescante e aliviam na dor, prurido e desconforto

 

Alginatos

(cálcio ou cálcio/sódio)

Kaltostatᶲ

Sorbalgon‡

Urgosorb¥ 

À base de fibras não-tecidas derivadas de algas marinhas

Transformam-se em gel não aderente quando em contacto com o exsudado 

Para feridas exsudativas

Não funciona em feridas secas ou escaras

Os alginatos de cálcio promovem a hemostase em feridas sangrantes

Hidrofibras

Aquacel 

Hydrocoll‡

Feito de carboximetilcelulose de sódio que em contacto com o exsudado transforma-se em gel, promovendo um ambiente húmido

 

Mais absorvente que os alginatos

Considerar o uso em feridas muito exsudativas

Deve ser aplicada sobre uma camada de contacto para evitar a fricção da ferida

Pensos absorventes modificados

 

ETE*

Mesorb*

Fina camada de algodão absorvente dentro de uma manga de politereftalato de etileno perfurado e selado

O filme plástico impede a aderência à ferida e permite a passagem do exsudado para o interior

Pouco dispendiosos e pouco aderentes

Com exsudado irá aderir à ferida

Camadas de contacto

Mepitel*

Material inerte que oferece proteção permitindo uma remoção atraumática

Podem ser usados como camada primária, combinados com quaisquer dos pensos anteriores

A ligeira aderência nas duas faces evita a fricção sobre a ferida, fixando também a camada secundária

Pensos lipidocolóides

Urgotul¥

Composto por uma rede de poliéster impregnada com polímeros hidrocolóides dispersados com vaselina

Quando em contacto com o exsudado, os polímeros são hidratados formando um interface não aderente

Para feridas exsudativas

Também usado como proteção de áreas vulneráveis

Fibras biosintéticas

Suprasorb X||

Penso constituído por celulose, água e 0,085% de gluconato de clorhexidina (conservante) com propriedades de absorção e humidificação

 

Também considerado um penso refrescante, reduzindo a dor e aumentando a humidade da ferida

Pode reduzir o prurido

Antimicrobianos

Mepilex Ag*

Atrauman AG‡

Allevyn AG ₸

Pensos de vários tipos (espumas, camadas de contacto, etc) impregnados com prata

Para feridas infetadas

O uso de pensos antimicrobianos deve ser reavaliado regularmente

Fornecedores em Portugal segundo o catálogo de aprovisionamento público da saúde para material de penso com efeito terapêutico (Diário da República, 1.ª série — N.º 140 — 22 de Julho de 2009):

*Molnlycke Health Care / Prop.Nº: 1779

Expomédica, Soc. Exp e Imp. Material Médico, Lda / Prop.Nº: 1853

Paul Hartmann, Lda / Prop.Nº: 1873

₸Smith & Nephew Lda / Prop.Nº: 1722

ᶲBristol-Myers Squibb S.A / Prop.Nº: 1821

¥LineaMedica Dispositivos Medico Cirurgicos SA /Prop.Nº: 1876

||Novamed - Equipamentos Médicos, S.A. /Prop.Nº: 1871

 

 

 

 

Adesivos

 

No caso de ser necessário colar um adesivo á pele (por exemplo, na colocação de um cateter) deve ser usado uma fita adesiva de silicone disponibilizada pela Molnlycke Health Care, a Mepitac. A Mepitac é uma fita de silicone desenhada para fixar dispositivos médicos, como por exemplo os eléctrodos do ECG e os cateters intravenosos. A Mepitac é muito adaptável e remove-se com facilidade. A tecnologia Safetac assegura a fixação e a remoção fácil sem danificar a pele. (Clique aqui para mais informações)

 

Como aplicar? Deve-se aplicar numa pele limpa, evitando o prévio uso de cremes ou loções. Bebés e outras pessoas com a pele extremamente frágil poderão não tolerar o Mepitac. Em algumas dessas situações, foram reportadas lesões na pele aquando a remoção. Se houver indícios de que a pele irá danificar durante a remoção, deve-se embeber em água ou impregnar com Vaselina ou Aquaphor.

 

Hidratantes, unguentos e aplicações tópicas


O uso de hidratante e unguentos reduzem a fricção, amolecem as crostas, mantêm um ambiente de cicatrização húmido e actuam como barreira na protecção da ferida. Muitos hidratantes e unguentos são usados em combinação com os pensos e aplicados directamente nas bolhas, feridas ou erosões (feridas abertas), desde que estas não estejam infectadas. Alguns hidratantes “ardem” em contacto com a ferida, pelo que a decisão de os usar deverá ser pessoal e determinada pelo conforto que ele possa trazer. Existem vários produtos que têm sido reportados como benéficos por doentes com EB:

  • Vaselina purificada. Este é provavelmente o hidratante mais barato no Mercado. Funciona como barreira evitando a fricção da pele e mantém um ambiente húmido que facilita a cicatrização.

  • Aquaphor®. Tem como ingrediente base a vaselina, mas com algumas vantagens. Funciona igualmente como barreira e mantém o ambiente húmido, mas não mancha a roupa e não tem o aspecto “gorduroso” da vaselina. É o preferido de muitos doentes com EB.

  • Óxido de Zinco. Produtos á base de oxido de zinco são frequentemente usados e tem sido reportados como promotores da cicatrização, e de protecção da ferida e da pele circundante. São frequentemente usados na zona da fralda, mas também em outras partes do corpo. Há vários produtos disponíveis, sendo o mais conhecido em Portugal o Halibut. Outros produtos semelhantes: D’AVEIA Creme Barreira, Aveeno Baby Creme Barreira, Dermagran® e Desitin®.

  • Emu oil (óleo de Emu). Este óleo tem sido uma escolha frequente ao longo dos anos, pelos doentes com EB. Tem sido reportado como redutor da inflamação, diminuição de cicatrizes, promoção da cicatrização e diminuição da dor. Parecer ser bom demais para ser verdade, mas muitos doentes com EB garantem que é o melhor.

  • Produtos com Aloé Vera. Estes produtos acalmam e refrescam a pele o que tem sido reportado como benéfico por alguns doentes com EB. Alguns doentes reportam ainda uma diminuição da inflamação. No entanto, é necessário cuidado ao usar produtos com Aloé Vera pois tem sido reportado na literatura casos raros de dermatite de contacto devido a irritação ou alergia. 
  • Egyptian Magic Cream®. Este é outro produto que muitos doentes com EB reportam como benéfico.
 

Como reconhecer e tratar de infecções


A lavagem das mãos é o aspecto mais importante na prevenção de infecções. Desinfectantes á base de álcool são bastante eficazes. O sabonete liquido Dettol http://www.dettol.pt/home.shtml é também bastante eficaz. Estas soluções fornecem uma rápida e eficaz eliminação da maioria das bactérias incluindo organismos resistentes a antibióticos como o MRSA (Methicillin Resistant Staphylococcus Aureus) e o VRE (Vancomycin-resistant Enterococci).

Todos transportamos bactérias na nossa pele. Estas bactérias vivem e colonizam sem causar qualquer perigo ou infecção. Mas sob o ambiente “certo”, estas bactérias invadem os tecidos, multiplicam-se e provocam infecções. O ambiente “certo” irá condicionar a gravidade da infecção, que poderá ser local ou sistémica (todo o organismo):

  • Zona de feridas: grandes feridas abertas são mais susceptíveis.
  • Tecido necrótico: crostas, peles secas, e tecido não viável, devem ser amolecido e removido.
  • Malnutrição: as proteínas são essenciais para a cicatrização das feridas.
  • Pouco fluxo sanguíneo a irrigar a ferida: uma boa circulação permite o fornecimento de oxigénio e nutrientes aos tecidos.

Todos os esforços devem ser direccionados para manter uma boa saúde em geral, de modo a que o indivíduo não seja susceptível a infecções.

  

São sinais típicos de infecção:

  • Uma cicatrização muito demorada
  • Exsudado da ferida aumentado
  • Vermelhidão aumentada
  • Dor aumentada
  • Engolir em demasia
  • Aumento do calor que a pele imana, em comparação com a zona circundante
  • Odor desagradável
  • Zona que sangra com facilidade

A infecção de feridas é comum na EB. Todos os esforços devem ser feitos para evitar a toma de antibióticos orais, pois a EB é uma doença crónica e a infecção de feridas é um evento recorrente. O uso indiscriminado de antibióticos orais irá facilitar o aparecimento de bactérias resistentes a antibióticos, que poderão apenas ser controladas com a administração intravenosa de antibióticos. Neste sentido, deve ser sempre dada a preferência a tratamentos tópicos.

 

Tipos de tratamentos


Pomadas. O tratamento tópico prescrito com mais frequência é o Fucidine, uma pomada que combina o ácido fusídico, que actua como anti-bacteriano, com o acetato de hidrocortisona (corticosteróide) que diminui a inflamação.
A prescrição de antibióticos tópicos deverá ser sempre feita pelo seu médico assistente após análise da lesão infectada.


Uso de lixívia. A lixívia é um desinfectante eficaz contra uma gama enorme de bactérias, fungos e vírus. Uma solução diluída de lixívia (2 colheres de chá por cada 4 litros de água) pode ser usada em compressas para secar feridas muito exsudativas ou infectadas.


Ácido acético. Compressas embebidas em ácido acético são particularmente úteis no tratamento de infecções por pseudomonas aeruginosa, que normalmente são resistentes a muitos antibióticos. Estas bacterias são habitantes comuns do solo e da água, estando portanto em toda a parte. Elas crescem em ambientes quentes e húmidos mas não sobrevivem em ambientes acéticos. É característico um odor frutado e uma cor azul-esverdeada. O ácido acético pode ser comprado ou feito em casa a partir de vinagre e água.

 

Quando a infecção se estende além da zona da ferida e o doente encontra-se febril, o médico assistente deve ser contactado para avaliar a situação e possivelmente prescrever um antibiótico oral. Todos os medicamentos devem ser tomados como prescritos. Se houver omissão de doses, ou paragem da toma antes do final do tratamento (porque o doente começa a sentir-se melhor), algumas bactérias poderão sobreviver e tornarem-se resistentes a antibióticos.

 

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  Qualquer tratamento, antes de ser iniciado, deve ser discutido com o seu médico.